quarta-feira, 5 de maio de 2010
grão-menino
não brinca de vampiro nem planta bananeira
ampulheta da vida é cachoeira
oh areia que cai sem cessar
sei que cada grão é tão preciso
sei que é preciso perceber que cada grão é um menino
amarelo e redondinho
que de manhã cedinho aparece na janela com sua cara amarela
e nos convida pra viver
virtude é perceber
ampulheta da vida é grande como roda gigante
lá de cima vemos a tia, a prima, o rio
e rodamos até decorar a vista
e vivemos até um lado ficar vazio
oh ar que preenche insistentemente
sei que cada grão é tão preciso
sei que é preciso perceber que cada grão é um menino
amarelo e rendondinho
que de manhã cedinho aparece na janela com sua cara amarela
e nos convida pra viver
virtude é perceber
obs: à minha querida e gloriosa vó.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Uma Teoria Sobre A Extinção De Bons Compositores
sexta-feira, 19 de março de 2010
Letais voltas de um amor
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
brincadeira
cada um tem seu lugar
perigo é a vida e a tia descobrir
joga isso ali
aqui não vai caber
será possível só você não ver?
quanta
tanta
planta confusão!
é saltando que se chega mais pertinho da chuva
é caindo que a roupa de malha molha
quanta tralha, quanta trolha!
e por que não uma bala e uma bolha para de novo descontrair?
vida de criança é assim
atchim e saúde
joelho ralado
chocolate granulado
e
quando o tempo disfarça
xixi na calça!
ahahahaha
- molhou de novo? é banho já!
- jáááááá!!!
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
devaneios de um triste
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
depois de um tempo
há uma venda no outro lado da rua
ainda de dentro
ele a vê de costas
ele sabe que é ela?
quatro portas se abrem
quatro pessoas saem
ele retorna o olhar
ela está de frente
eles se veem
e se reconhecem
por apenas 2 segundos.
ele segue
ela fica e paga o maço de cigarro.
15 minutos depois
ele anda na praia
ela também
com mais alguém
porém uns 30 metros na frente.
ele pode vê-la
nunca tinha reparado no seu caminhar
tinha?
ela não faz ideia
e fica apenas com o antigo encontro na cabeça
fica?
terão seus olhares causado posteriores reflexões?
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
poema sobre o verdadeiro olhar embrigadado
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
poema sobre o olhar embriagado
que com o peso dos olhos vê o todo entortado
atordoado de prazer.
todo sentimento é pouco,
toda vida é o bastante
e o agora é louvado a ponto de deixar-se de lado
o porvir e o amanhã
afinal,
a quem pertence o amanhã?
é tudo e agora.
depois é outrora
e outrora não passa de uma outra hora
que só chegará depois da hora de agora,
e depois de agora
a embriaguez,
talvez,
não esteja mais latente.
quer-se,
apenas,
o presente,
e o presente é amor, torpor e tesão.
todo sentimento é pouco
e não-silenciado,
lindo é o olhar embriagado.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Poema para a Pequena Grila
houvesse o mar,
houvesse amor e tudo que é de sonhar,
um pouco de luz...
Houvesse suor, teor, pudor
Saberíamos que voar com nossas pernas é dispensar asas,
pobres asas.
Grila, pequena minha,
penduro em tuas pernas e voemos por aí.
Voemos, voemos...
houvesse nós.
sábado, 14 de novembro de 2009
registro.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Vai, menina...
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Esquecer.
sábado, 4 de julho de 2009
quinta-feira, 28 de maio de 2009
lá
corta meus nervos de aço
e, com o tempo,
a dor já não rasga tanto.
enfurece-me essa triste adaptação
que transforma a merda numa não tão merda assim
fazendo-me achar que isso não é tão ruim
e vêm então aquelas visitas à longa distância
e a ausência parece congelar-se com a imagem dela,
entretanto, ao sentir a tela vem-me a raiva de
realmente haver um mundo e um computador entre nós.
maldita tecnologia
preferia eu escrever e receber cartas
tão mais íntimo que uma foto três por quatro
em tempo real!
nela, pelo menos,
eu teria a certeza de que estamos longe
em vez de tentar ficar me convencendo
de que estamos há um palmo de distância.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
oração
Portanto, tempo, vai devagar que meu amigo é querido. Ele apenas se exastou percorrendo quilômetros de vida de chão batido com pés de anjo, doces e virgens. Ajude, por obséquio, a este próximo irmão que já cogita a desregra como espírito e questiona por vezes a bondade em ti presente. Saiba que seguidas feridas foram marcadas a ferro e fogo, em carne viva, em seu pálido corpo. Mostre-o aonde ir, mas não ame-o demais para que, possa ao menos uma vez, jogar a cabeça ao vento e fechar os olhos devido ao ar forte, sem ter que segurar os pés.
domingo, 10 de maio de 2009
quinta-feira, 7 de maio de 2009
o deus e adeus
quarta-feira, 29 de abril de 2009
clareia minha vida, amor, no olhar.
Clareia, clareia...
segunda-feira, 27 de abril de 2009
ordem e progresso?
Moderação.
Vamos nos descontrolar.
Permissão.
E assim vou trocando as coisas e fazendo tudo na hora errada.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
caminhando e cantando e seguindo a canção
quarta-feira, 15 de abril de 2009
terça-feira, 7 de abril de 2009
o outro lado
segunda-feira, 2 de março de 2009
osteogénese imperfeita
E fogo baixo é muito para tal operação
Uma chama a mais e ele se rompe com o grito da tristeza
Que lá de dentro ecoa com amplificação.
Bom mesmo seria um lampião
Que só com luz
Esquentaria em prazo estendido
Esso ovo de paredes de vidro
Deixando reinar nossa rainha Alegria
Que com confetes demarca os limites do feudo
E com sorrisos alimenta os servos
Para que não passem fome ou tristeza:
As piores das doenças.
Assim então
Quando cozido nosso ovo estiver
Ecoarão os gritos
E os vidros estilhaçarão
E os confetes
Com a ventania se dispersarão
Os sorrisos
Com a fome se fecharão
E a nossa rainha
Derramará seu pranto sobre a luz do lampião
Pois tristeza não tem fim
Felicidade
Sim.
Escuridão.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
da série: crônicas escrotas por falta de inspiração.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Alzheimer
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Quando eu passei no vestibular.
sábado, 3 de janeiro de 2009
O coração do homem-bomba
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
são demais os perigos dessa vida
ps: leiam Marley & Eu
sábado, 20 de dezembro de 2008
coração cigano
Dois pés apontavam para lá
As folhas corriam pelo chão
Novamente um caminho que sumia
No horizonte desconhecido
Duas vozes palpitavam para onde ir
Qual das duas tinha a razão?
Muito tempo foi pra perceber
Nenhuma delas era o coração
Mas se só ele sabe o que é certo
Por que se cala quando a outra voz me fala o caminho da solidão?
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Esquecer.

Soube hoje que eu tinha oitenta e quatro anos. Via-me no espelho e sim, isso fazia sentido – embora não tivesse feito por tantas outras vezes. A descoberta repercutiu em forma de saudade, saudade de outros tempos, da mamãe, do papai, da Lindonéia, de tudo que em mim marcou a ferro. Queria tanto os ver de novo, por onde será que andavam? Não sabia como ir, por onde ir, o que fazer, mas uma vontade intrínseca movia-me como um servo obediente.
Impediam-me a qualquer custo, inventavam histórias – eu podia sentir que eram inventadas – e desnorteado eu olhava para os lados buscando a chave da porta. Não estava em lugar algum! Confesso que muitas vezes utilizei-me da força para tentar, em vão, sair daqui e ir para lá, sem mesmo imaginar o que é o aqui e o lá, mas eu precisava, eu queria... Assim, no auge da minha fúria um buraco negro se formava em meu cérebro e eu esquecia, esquecia do porquê daquilo tudo, o que diabos estava eu fazendo ali. Como disfarce cedia às pressões e achava melhor descansar esse corpo sem propósito. Era melhor ir dormir.
Lá no fundo morava uma idéia de não querer mais acordar, dormir para sempre, morrer. Quem sabe assim eu encontrava papai, mamãe e Lindonéia, minha amada perdida e esquecida no tempo e na memória, e saciava esse ser dentro de mim que me movia de um lado para o outro sem saber por que o faz. Pensava se valia à pena acordar todo dia e descobrir cada vez mais coisas novas, ou descobrir cada vez mais que eu não sabia nada, que estava me perdendo no tempo. Pensando bem, nessa história triste há uma vantagem: no outro dia esqueceria esse meu sofrimento cômico e acordaria com a mesma paz de sempre – talvez fosse isso que alimentasse a vontade intrínseca que me fazia fugir.
Aos poucos pegava no sono e ia pensando naqueles de quem sentia falta, fazendo com que a saudade fosse lentamente sendo saciada, confortando-me o suficiente para parar com aquela idéia, agora maluca, de não querer mais acordar. Sabia que ao redor estava sendo amado por todas aquelas pessoas que se dispunham a cuidar de um velho perdido no tempo e na memória, as quais deviam saber o porquê disso, mas eu não fazia idéia. Imaginava que fosse alguma doença, porque já havia visto algumas pessoas da minha idade - quando não mais velhas – completamente lúcidas, sãs. Só rezava para que quando chegasse ao fim, não esquecesse, principalmente, daquelas amadas pessoas que quando eu acordava me chamavam para tomar café e quando eu bocejava me convidavam para dormir.